
Este blog está viajando de férias!
Ele será atualizado novamente assim que possível...
Escrito por A eterna Anne Welles às 05h34
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FLIP 2008
Diário de Bordo

Terceiro Dia – 06/07 – O fim – Parte 02 de 02
No resto da manhã, aproveitei a companhia de meus amigos casperianos, enquanto os meus colegas de viagem curavam a ressaca e curtiam um misto de mau-humor e dor de cabeça. Dessa forma, passeamos na orla do mar, conversamos bastante e até dividimos um delicioso almoço (havia tanta comida, que até sobrou).

Às 3h00 (ou um pouco depois, pois nos atrasamos durante o almoço), a Marcela, a Camila e eu fomos ver a última de nossas mesas na FLIP, a mesa 18, chamada Papéis Avulsos, com os imortais Ana Maria Machado, Sergio Paulo Rouanet e o cineasta Luiz Fernando Carvalho que, com mediação da antropóloga Lilia Schwarcz, passaram quase duas horas esmiuçando as obras de Machado.
Quem roubou a cena, mais uma vez quando se trata do autor de Dom Casmurro, foi Capitu "e seu olhar oblíquo e dissimulado" segundo os participantes. "Ela é uma espécie de semeadora da doença imaginária pela qual passa Betinho", descreveu Luiz Fernando de Carvalho, que está produzindo uma minissérie com o nome da personagem para a televisão.
A discussão foi toda muito boa e confesso que aprendi muito sobre Machado de Assis, um autor o qual não sou muito chegada. Mas o que mais gostei foi a noção que Luiz Fernando Carvalho e Ana Maria Machado possuem sobre o processo de adaptação de uma obra – um dos elementos muito estudado durante o meu processo de elaboração do TCC.
Para eles, uma adaptação é, na verdade, um assassinato de uma obra. Por isso que o processo de transposição de um livro para o cinema ou da televisão deve ser, na verdade, uma releitura ou um novo ângulo da história original.
Perfeito!

Ao final dessa discussão, me despedi das meninas sabendo que não as encontraria mais em Paraty. E fui atrás dos meus engenheiros/arquitetos. Eles, que haviam assistido à mesa 18 na Tenda dos Autores – o local mais concorrido de toda a FLIP –, estavam aproveitando as nossas poucas horas na cidade para comerem e terminarem suas compras.
Voltamos para a Pousada por volta das 5h00 e não tivemos muito tempo para nada. Só deu para escovar os dentes e acertar a conta, pois logo já estávamos dentro da van no caminho para voltar para São Paulo.
Fiquei vendo a cidade passar e, deitada ao lado de uma das janelas da van, senti um aperto no coração. Parecia que estava abandonando algo muito importante para mim e senti um vazio na alma. Lembrei de cada minuto que havia vivido nas últimas 48 horas e percebi como tudo passou muito rápido.
Fiquei com saudades daquilo que havia vivenciado há pouco e tive medo de voltar ao mundo real. Tive vontade de chorar, mas me segurei. Resolvi, então, apenas colocar meus óculos escuros, ligar o meu MP4 e tentar dormir um pouco. A viagem seria longa, eu precisava descansar e não queria pensar em mais nada.
“Não vou me sujar
Fumando apenas um cigarro
Nem vou lhe beijar
Gastando assim o meu batom
Quanto ao pano dos confetes
Já passou meu carnaval
E isso explica porque o sexo
É assunto popular...
No mais estou indo embora!”
Escrito por A eterna Anne Welles às 05h28
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FLIP 2008
Diário de Bordo

Terceiro Dia – 06/07 – O fim – Parte 01 de 02
Acordei um pouco antes das 8h00 e corri para desligar o meu despertador. Meus companheiros de quarto haviam deitado depois das 6h00 e estavam acabados. Fiz então a mesma coisa que no dia anterior: tomei banho, tomei café, me arrumei e fui para o centro da cidade.
Após ‘fugir’ de um motoqueiro que ficou me seguindo e insistindo em me dar uma carona (ele achou que eu fosse alguma escritora ou famosa), cheguei ao centro mais cedo do que eu esperava. Fui então passear e, mesmo sem dinheiro, resolvi comprar uma bolsa e uma camiseta da FLIP para mim. Achei que merecia um agradinho... Ops!
Às 10h00, fui ver à mesa 16, chamada Os Livros que Não Lemos, com o francês Pierre Bayard e o crítico cultural Marcelo Coelho, além da medição do fofo Contardo Calligaris. E, em minha humilde opinião e de várias outras pessoas com quem conversei, foi a melhor mesa de todo o final de semana.
Haviam me dito que o Marcelo Coelho era meio parado, meio cansativo e, até mesmo, um pouco chato. Mas isso foi o contrário do que vi na manhã de domingo. Vi um Marcelo Coelho engraçado, cheio de comentários cheios de gracinhas e totalmente a vontade com a platéia e seus colegas de debate (ele mascou um chiclete o tempo todo).
E foi muito engraçado já no início da mesa, porque o autor francês atiçou o público logo em sua primeira declaração: "A apreciação de um livro não requer a sua leitura". Os presentes na Tenda dos Autores reagiram de imediato, gesticulando e reclamando. O francês franziu a testa por um minuto até entender que os leitores queriam apenas que ele falasse mais alto. "Nossa, fiquei tenso. Achei que os protestos eram contra a minha defesa sobre a não leitura", brincou, garantindo o riso de todos.
Os dois autores foram muito bons em seus argumentos e conseguiram deixar o público totalmente conectado com aquilo que era dito. A discussão estava tão boa que, quando Contardo Calligaris anunciou o fim do tempo, todos ficaram chateados.

Bem, na verdade, era para eu ter assistido essa mesa com a Marcela e com a Camila, mas acabamos nos desencontrando na entrada da Tenda do Telão e só nos vimos no final de tudo. Mas o mais legal foi que, mesmo distantes, nós tínhamos o consenso de que àquela mesa tinha sido realmente muito boa.
Sozinha, fui ver a mesa 17, chamada de Folha Seca, com o professor e compositor José Miguel Wisnik e o antropólogo Roberto Damatta. O tema dos dois era o futebol e, numa festa literária repleta de intelectuais, os dois mostraram que este esporte, tão popular em nosso país, pode ser sim mais interessante do que a idéia de onze rapazes correndo atrás de uma bola.
Tendo como mediador o americano Matthew Shirts, os dois escritores apresentaram diversas maneiras, sofisticadas ou inusitadas, para se pensar o fenômeno do futebol e demonstraram de novo algo que todos sabemos mas, volta e meia, gostamos que nos ensinem de novo: futebol e Brasil são duas coisas feitas uma para a outra, digam o que disserem.

No início, eu estava meio desanimada – comprei a mesa errado, graças a uma confusão com a mocinha da FNAC. Mas, conforme os tempos foram passando, percebi que a discussão era mais interessante do que eu imaginava. Infelizmente, precisei sair da tenda antes do final da mesa – tinha bebido muito água e minha bexiga estava quase estourando de tanta vontade de fazer xixi. Então, precisei procurar um toalete.
Mas não fiquei chateada, pois ouvi muita coisa interessante e usei o resto do tempo daquela mesa para conversar com a Dani e o Jordani, que encontrei sentados na praça principal.
Escrito por A eterna Anne Welles às 00h49
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Segundo Dia – 05/07 – Parte 03 de 03
Novamente encontrei os engenheiros/arquitetos na frente da sorveteira na praça principal e passamos o resto da tarde juntos. Tomamos sorvete de novo, passeamos, conversamos e tentei explicar tudo o que eu havia vivido e ouvido. Mas continuávamos em realidades diferentes!
Um pouco antes das 19h, eles voltaram para a pousada e fui ver a mesa 15, chamada de Shakespeare, Utopia e Rock’n’Roll, que contou com o dramaturgo inglês Tom Stoppard. Mediado por Luís Fernando Veríssimo (que é MUITO bonitinho), o dramaturgo dispensou a cadeira e falou em pé sobre seus diálogos favoritos do cinema e usou exemplos de filmes para explicar o que é escrever bem.
Os veículos da mídia falaram que Stoppard deu um show, mas não concordo muito com isso. Eu estava muito ansiosa por esta mesa, afinal ele é o cara que escreveu o roteiro do filme Shakespeare Apaixonado, mas me decepcionei bastante. Não sei se foi problema com a tradução ou se eu estava muito cansada, mas não entendi muito do que ele falou e me perdi várias vezes em suas frases sem final. Então, fiquei conversando com uma senhorinha muito simpática que estava ao meu lado e também não estava entendo nada.

Às 21h00, quando a palestra terminou, peguei um táxi (meus pés estavam doloridos e eu não voltaria sozinha por aquele caminho escuro e longo) e fui para a pousada. Encontrei meus companheiros de viagem dormindo e aproveitei para tomar banho e descansar um pouco o corpo. Não consegui dormir, mas fiquei deitada debaixo de minha manta quentinha.
Saímos da pousada por volta da meia noite e fomos jantar. Eu estava morta de fome e realmente precisava comer algo gostoso e substancioso. Os restaurantes já estavam quase todos fechados, mas como estávamos em 10 pessoas, conseguimos ficar num lugar legal. E pude comer um filé de frango com creme de milho e batata-frita que estava simplesmente maravilhoso.
Mas aconteceu algo bem legal no restaurante: enquanto jantávamos, um senhor andarilho veio em nossa mesa. Ele, que parecia ter alguma doença mental, pediu licença e fez flores de crepom (perfumadas) para cada uma das moças da mesa. Ele fazia cada florzinha em menos de um minuto e só usava as mãos para cortar o papel. Eu recebi a flor branca e fiquei extremamente emocionada...
Aquele foi um dos gestos mais simples e cordiais que já recebi em toda a vida. E acho que não fui só eu quem gostou. Todos da mesa ajudaram o senhor com aquilo que podiam e ele foi embora feliz. E eu me controlei para não chorar.

Saímos do restaurante por volta das 2h00 e fomos andar por Paraty. A cidade estava lotada – parecia que era 8h00 da noite ou algo assim. Ficamos numa esquina, ouvindo um show muito bacana num barzinho cool e caro. Enquanto todo mundo se matava de beber – havia tequila, pinga, cerveja e muitas outras coisas alcoólicas -, resolvi dançar no meio da rua.
Eu realmente não precisava ficar beber para me divertir, afinal eu estava dançando no meio da rua. Além do mais, eu estava muito cansada e não queria me indispor. A pousada era muito longe para voltar bêbada e eu não queria perder as mesas do domingo. Então, novamente, fui viver uma realidade minha.
Por volta das 3h00, fomos participar de uma Picareta Cultural, um evento que reuniu músicos, poetas e gente de todo o tipo para dançar nas ruas principais. Nossa! Também me diverti bastante e garanto que foi ótimo estar sóbria, uma vez que havia muito bêbado chato e grudento pela cidade. Além disso, tentaram roubar a minha florzinha branca diversas vezes.
No passar das horas, fomos mudando de lugar e aproveitei para tomar muita água e me entreguei, novamente, a uma casquinha sabor nozes. Tão boa! No final de tudo, sentamos na praça principal e ficamos ouvindo um cara tocar violão, mas o violão dele só tinha três cordas e as músicas, assim, eram estranhas.
Voltamos ao hotel passado das 5h00 e, enquanto meus companheiros de viagem foram fazer um luau na praia, fui dormir. Eu ia levantar às 8h00 para não perder a mesa das 10h00 e realmente precisava descansar. Mas meu sono não foi muito pesado. Cada vez que alguém entrava no quarto, eu acordava, sentada na cama.
Não demorei para perceber que, novamente, não iria descansar nas três horas que teria de sono.
Escrito por A eterna Anne Welles às 11h53
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Segundo Dia – 05/07 – Parte 02 de 03
Encontrei os engenheiros/arquitetos mais rápido do que eu esperava. Graças a mensagens de texto, os localizei na frente de uma sorveteira na praça principal e os encontrei lá. E foi engraçado, porque estávamos no mesmo lugar, mas vivíamos realidades diferentes. Enquanto eu tinha acordado cedo e estava meio anestesiada por tudo o que havia ouvido nas mesas, eles haviam dormido até tarde e ficaram tocando violão durante o café-da-manhã.
Resolvemos passear um pouco, mas o nosso passeio não passou de uma quadra. Eles encontraram pessoas que eu não conhecia e ficaram bebendo cerveja num dos trailers à beira do rio. Tentei me enturmar e até conversei com alguns deles, mas me senti meio deslocada. Após tomar um sorte de avelã (delicioso!) e comer um cachorro quente (que virou o meu almoço), resolvi ficar com o Victor, a Marcela e a Camila na fila do autógrafo.
O autor Neil Gaiman conseguiu reunir, entre 13h15 e 18h35, aproximadamente 600 pessoas (segundo seu próprio cálculo), que aguardavam um autógrafo e a chance de estar perto do ídolo, fãs que sabem exatamente tudo sobre sua obra, especialmente a sua principal criação, Sandman, cultuado personagem dos quadrinhos. E entre essas pessoas, lá estavam os meus amigos casperianos.
Só os deixei para ver a mesa 13, chamada Fábulas Italianas, que contou com o fofo (e muito inteligente) Contardo Calligaris e o italiano Alessandro Baricco. A mediação da discussão não foi muito boa e confesso que fiquei um pouco frustrada – eles só falaram da literatura italiana e eu queria ouvir mais sobre a relação deles com o amor (temática comum na literatura de ambos).
Mas gostei muito quando os dois falaram sobre a ficção. Para Baricco, a ficção serve para deixar feliz quem escreve. Já para Calligaris, todas as pessoas são feitas e fabricadas por ficção. “Quando queremos saber de onde viemos, para onde vamos, tudo isso é uma reflexão ficcional. Crescemos elaborando ficções”, filosofou. Dessa forma, concluiu que a ficção serve para enriquecer a ficção da vida de cada um.

Putz! Nem preciso dizer que fiquei totalmente arrepiada com as declarações do escritor e colunista da Folha, né?! Me identifiquei tanto e percebi que a minha comédia-romântica cotidiana não é tão louca assim.
E eu estava tão encantada por tudo aquilo que resolvi pedir o autógrafo de Contardo Calligaris. Apesar de não ter o livro dele e nem ter dinheiro para adquirir o mesmo (a viagem já foi um gasto exorbitante para uma desempregada!), entrei na fila e, acompanhada pelo Jordani e a máquina fotográfica da Marcela, fui conversar com o meu mais novo ídolo literário.
Na fila, pude colocar o papo em dia com os meus amigos, que ainda estavam na fila de Neil Gaiman e ficavam se revezando... E foi bom e muito divertido! Pude matar a saudade e saber um pouco mais do cotidiano deles. Além do mais, nem vi a demora da fila e, quando menos esperava, estava na frente de Contardo Calligaris. Contei para ele que ainda não tinha o livro dele porque estava desempregada, falei que adorava as crônicas dele e que havia amado a entrevista dele para revista Marie Claire do mês de Junho.
Ele riu, foi simpático, autografou o livro que entregaram no início da mesa dele e tirou uma foto ao meu lado – o Jordani fofo foi quem bateu. Mas o mais legal é que no final, o Contardo falou “Você te certeza de que foto saiu certinho? Caso contrário, tiramos outra!”. Ahhhhh! Achei muito fofo!

Me despedi dos amigos casperianos, que continuavam na fila de Neil Gaiman, e lá fui atrás dos engenheiros/arquitetos novamente.
Escrito por A eterna Anne Welles às 01h20
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Segundo Dia – 05/07 – Parte 01 de 03
Conforme esperado, o despertador do Leandro tocou às 8h30, mas eu já estava acordada há uma hora - não consegui dormir direito. Ninguém levantou e percebi que aquele poderia ser um dia meio solitário – do nosso grupo, só eu ia assistir às mesas de discussão da FLIP. Ou seja, enquanto todos permaneciam dormindo, tomei banho, tomei café, me arrumei e fui para o centro da cidade.
Animada por estar de volta à FLIP, fui direto para a Tenda to Telão. E, às 10h00, assisti à mesa 11, chamada de Guerra e Paz e que contou com os autores africanos Chimamanda Ngozi Adichie e Pepetela. Cada um deles leu um trecho de suas obras mais recentes e refletiram sobre os rumos da literatura africana (que é muito boa e, aos poucos, está ganhando espaço no mundo).
Com mediação do José Eduardo Agualusa, também angolano, os participantes discutiram ainda os conflitos separatistas do continente e a conseqüente influência na produção de suas obras. Mas o mais bacana dessa mesa é que Chimamanda defendeu a liberdade da expressão. Para ela, é muito importante que o autor escreva o que queira, afinal o romance é seu. Eu, simplesmente, adorei isso.

Logo que saí desta primeira mesa, já entrei na fila para a segunda. Queria pegar um lugar bacana e, mais do que isso, não queria me sentir sozinha. Então entrei na fila e fiz amizade com algumas pessoas. Minutos antes de entrar, olho para os lados e vejo o Victor – meu amigo da faculdade. Inicialmente, achei que era ilusão minha. Mas olhei com atenção e vi que era ele mesmo, junto com a Marcela e a Camila. Nos cumprimentamos rapidamente e, como eles iam também assistir àquela mesa, combinei de guardar lugar para eles.
Sentamos os quatro juntos e fiquei sabendo que, além deles, mais dois amigos estavam lá: o Jordani e a Dani. Foi uma feliz e agradável surpresa. Afinal, eu sabia que havia várias casperianos por lá – de madrugada, vi diversas pessoas conhecidas de corredor. Mas eu realmente não fazia idéia de que os meus amigos também estavam em Paraty.
Vimos, então, à mesa 12, chamada de A Mão e a Luva, com o inglês Neil Gaiman e o americano Richard Price. A mediação deste debate contou com a presença de Marcelo Tas, que conseguiu ser preciso e deu o toque perfeito a esses escritores que não ficam restritos apenas às páginas impressas.
Price, que na área cinematográfica já trabalhou com diretores como Martin Scorsese e Spike Lee, como escritor foi apresentado por Tas como sendo “o rei da ficção urbana”. E foi a partir dessa posição de observador perspicaz da vida diária que ele falou longamente sobre as transformações sofridas pelo Lower East Side, bairro nova-iorquino com o qual ele tem grande intimidade.
Já Gaiman foi o responsável por reunir uma grande platéia, repleta de jovens, e que deixou as ruas da cidade praticamente intransitáveis. O autor explicou que sua facilidade em montar diálogos deve-se a dois fatores. Primeiro, à sua experiência de jornalista. “Eu gravava as falas das pessoas, mas elas nunca falam frases inteiras”, explica ele.
“Então me dei conta de que precisava editar essas falas gravadas, transformá-las naquilo que as pessoas de fato queriam dizer, em vez do que elas realmente haviam dito. As falas reais eram inúteis, nunca terminavam. O real é muito chato”, completou.
Mas Gaiman também conseguiu aprimorar a técnica do diálogo, tão importante em sua literatura, por força de seu trabalho no campo da história em quadrinhos. “Tive de me treinar a colocar apenas trinta palavras dentro de um balão”, conta ele. Daí surgiu a precisão nas falas dos seus personagens.

Confesso que esta mesa não me deixou tão animada quanto à anterior. Mas fiquei feliz de poder ouvir àquelas reflexões, principalmente as do Neil Gaiman, que já foi jornalista e aproveitou a oportunidade para especializar-se nesta arte. Além do mais, foi muito bom estar ali com meus amigos e isso me animou mais do que tudo.
Quando a mesa terminou, a marcela, o Victor e a Camila foram para a fila de autógrafo de Neil Gaiman e fui encontrar o pessoal da Método. Me despedi dos casperianos e fui atrás dos meus engenheiros/arquitetos.
Escrito por A eterna Anne Welles às 08h45
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Primeiro Dia – 04/07 – O início
Entusiasmados por tudo o que vivemos no ano passado, o antigo grupo de estagiários da Método resolveram voltar à FLIP. Combinamos a viagem por e-mail e, inicialmente, a idéia era alugar uma casa – MUITO grande – na entrada da cidade.
Apesar de não conhecer metade das pessoas que iam – afinal, a casa era realmente grande e os engenheiros/arquitetos resolveram convidar muitas outras pessoas para irem juntos -, concordei em viajar com eles. Seria bom revê-los e, principalmente, seria muito bom estar novamente na FLIP.
No início de junho, os planos mudaram. Perceberam que a casa muito grande e lotada de gente daria muito problema e resolveram reunir só o grupo do ano passado para ficar numa pousada. Ficaria mais barato e mais fácil. Concordei na hora e até achei melhor.
A nossa viagem ficou programada para começar na sexta-feira, dia 4. A fim de facilitar a vida de todos, contratamos uma van para nos levar. Achamos que ficaria mais fácil – um pouco mais caro, com certeza -, mas daria liberdade igual para todos.
O ponto de encontro era na Berrini, na frente do prédio da empresa em que todos estagiamos no ano passado, às 16h30. Mas, para facilitar a minha vida, resolveram me pegar na Brigadeiro – o local em que um outro amigo também estaria esperando – um pouco mais tarde.
Para não atrasar a viagem – que eu sabia que seria looonga -, saí de casa às 17h00 e consegui chegar ao local do encontro exata meia hora depois. Mas, como seria possível de prever, a van atrasou, precisei ficar muito tempo de pé esperando e, por diversas razões, só conseguimos sair de São Paulo às 19h00.
O início da viagem foi bem difícil – o trânsito estava muito pesado e pegamos engarrafamento na Marginal. Mas, ao chegar na estrada mesmo, tudo ficou mais tranqüilo. Paramos logo no começo da Dutra para comer, comprar bobagens para comer no caminho e fazer o pit-stop básico.
Para nos entreter, escolhemos o filme Eu Sou a Lenda (I Am Legend), do Will Smith, e fomos vendo na van (que tinha DVD). Obviamente, passei o tempo toda agoniada com a história do filme e confesso que até tive um pouco de medo – não imaginava que era uma história de terror/suspense no melhor estilo Resident Evil.

Quando o filme terminou, todos resolveram dormir e eu, sem um pingo de sono, fiquei observando a estrada. E foi uma grande sorte... Naquele momento, estávamos descendo a serra e estava muita neblina – mal dava para ver o caminho a frente (o motorista era bom e isso ajudou muito).
Fiquei morrendo de medo, principalmente quando precisávamos frear bruscamente. Numa das vezes, uma lebre estava atravessando a estrada e o motorista quase a atropelou – foi horrível e todos acordaram muito assustado. Fiquei com muito medo, mas, por sorte, deu tudo certo e o resto da viagem foi razoavelmente tranqüilo.
Chegamos a Paraty por volta da meia noite. Demoramos um pouco para achar a nossa pousada, que era mais longe do que o esperado e ficava na praia do Jabaquara (um pouco distante do centro). Nos acomodamos, dividimos os quartos (fiquei com a Dani e o Leandro num quarto triplo – eles dormiram na cama de casal e eu, na parte de cima de um beliche muito ruim) e resolvemos sair para beber.
Nem todos toparam a idéia, principalmente depois de viajar. Mas a Dani, o Leandro e eu estávamos muito animados para dormir. Fomos até o centro da cidade, que estava super agitado, e conseguimos uma mesa num dos barzinhos mais bacanas. Ficamos bebendo cerveja e comendo batata-frita na madrugada fria.

Só voltamos à pousada por volta das 5h00 – o frio estava muito forte e o cansaço começou a marcar presença (depois de uma cerveja, o sono sempre aparece). Obviamente, demorou um pouco para conseguirmos dormir (a dinâmica no quarto pequeno e ocupado por três pessoas é complicada) e até recebemos uma visita inesperada no momento em que já estávamos dormindo. Mas logo apagamos.
Deitei sabendo que deveria aproveitar ao máximo as poucas horas que ainda restavam da noite. O despertador do Leandro ia tocar às 8h30, por causa de uma mesa que assistiria às 10h00, e eu realmente não queria me atrasar.
Escrito por A eterna Anne Welles às 15h42
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Resumo do último fim de semana em uma única palavra:
CONTINUE...
Escrito por A eterna Anne Welles às 23h11
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O Snoopy nunca foi tão sábio em suas reflexões diárias...
Escrito por A eterna Anne Welles às 10h22
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Cenas de um Filme Particular
Cena 2.563 = Don’t Forget Me

Ela diminuiu os passos e, enquanto caminhava lentamente, só conseguia olhar para o chão. Sabia que aqueles eram os últimos minutos perto dele e não queria deixá-los passar muito rápido. Não conseguia encará-lo, não queria que ele percebesse a tristeza de seu olhar.
Pararam perto do portão, o mesmo que presenciou muitos momentos dos dois, e se abraçaram. O coração dela estava pequenininho e, mais uma vez, sentiu um buraco enorme em sua alma, mas tentou não pensar nisso. Despediram-se com palavras carinhosas e recomendações futuras e ela não o olhou uma única vez – estava com medo e, por isso, ficou o tempo todo brincando com os botões da camisa dele.
Levou-o até a rua e o viu partir sabendo que – dessa vez – a despedida era verdadeira. Não conseguiu se controlar e chorou – finalmente derrubou as lágrimas que a estavam sufocando. Entrou no elevador e, enquanto voltava ao seu andar, contemplou sua imagem no espelho: se viu chorando baixinho e, de alguma forma, frágil.
Ao ingressar no apartamento, não disse nada. Apenas foi tomar um banho – colocou toda a roupa para lavar e se enfiou debaixo do chuveiro. Ela só queria ficar com os momentos daquela noite: a soda italiana sabor Melancia, as risadas, a cumplicidade, as conversas e a certeza de que, numa outra realidade, tudo estaria certo.
“Kiss the rain whenever you need me”
Escrito por A eterna Anne Welles às 14h50
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“There's something to be said about a glass half full, about knowing when to say when. I think it's more of a floating line, a barometer of need. Of desire. It's entirely up to the individual, and it depends what's being poured. Sometimes all we want is a taste. Other times there's no such thing as enough, the glass is bottomless... All we want is more”
Meredith Grey no episódio Enough Is Enough
Escrito por A eterna Anne Welles às 13h31
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“Well let me tell you people
It’s an easier affair
Not livin’ my life with other people on my mind
No, got nothing to hide from anyone
‘Cos I’m walking on new air
Just living my life
Better believe I’m gonna get what’s mine
See I don’t have the time for the haters”
(An Easier Affair - George Michael)

Finalmente julho começou e como já garantiu o meu horóscopo mensal: “é um mês de preparação, já que, logo no primeiro dia de agosto, haverá um eclipse relacionado a mudanças essenciais, criando oportunidade para você se desvencilhar do que não anda bem em sua vida”.
Para acompanhar o clima astral, o jeito é curtir o MA-RA-VI-LHO-SO George Michael... Esse cara consegue ser perfeito para alguns momentos da minha vida, pois ele sempre canta as palavras perfeitas.
A-DO-RO!!!
Escrito por A eterna Anne Welles às 17h47
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